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Marcelo Pinto Marcelli:

Ecologia Liquenica nos Manguezais do Sul-Sudeste Brasileiro

1992. VII, 310 pages, 21 figures, 60 tables, 14x22cm, 600 g
Language: English

(Bibliotheca Lichenologica, Band 47)

ISBN 978-3-443-58026-1, paperback, price: 77.00 €

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Contents

Resumo top ↑

Este trabalho visa basicamente estabelecer os padrões de distribuição da flora liquênica dentro dos manguezais da região sul-sudeste do Brasil, tecendo algumas considerações sobre as possiveis razões ambientais (bióticas e abióticas) dessa distribuição.
Vários manguezais, desde Santa Catarina até a Bahia, são comparados floristicamente na tentativa de se demonstrar a existência de uma flora liquênica caracteristica de manguezais. Em média, cerca de 95% das especies encontradas em qualquer manguezal visitado estavam presentes tambe no de Itanhaem.
O manguezal de Itanhaem é tomado como model daqueles da região estudada por conter todas as especies de arvore em todas as 7 regiões microclimaticas-estruturais aqui estabelecidas para esses manguezais. Nele fora efetuadas as medidas quantitativas da flora liquênica e as comparações de caracteristicas microclimàticas e de substrato.
O método de amostragem ("Metodo do Elástico") é original e demonstrou grandes facilidades de aplicação e obtenção dos parâmetros-fitossociologicos, tanto absolutos quanto relativos.
Foram amostrados no total, entre liquens e briófitas (estas tratadas de maneira agregada), 15662 individuos sobre 454 arvores tomadas ao longo de "transects", desde o rio Itanhaém até o contato com a mata de restinga.
A amostragem foi efetuada em 13 niveis ao longo dos troncos, a cada 15 centimetros a partir do topo da camada de algas, e de modo a permitir a analise da distribuição por: região microclimática-estrutural, espécie de hospedeiro (forófita), nivel no tronco, lado do tronco.
Espécies de liquens foram tratadas independentemente e reunidas em grupos morfobiológicos, que são analisados em seu potencial de aplicação como indicadores biológicos de microclima e tipo de substrato.
Os dados quantitativos são analisados em termos de números de espécies e individuos, dominância, valores de importancia, densidades, frequências, espectros morfobiológicos e de frequencias, indices de similaridade e diversidade, e analise multivariada (ordenação). Para a análise da distribuição circular (ao redor dos troncos) foram também levados em consideração as relações de tamanho e número de individuos das espécies mais importantes.
As diferenças mais evidentes foram encontradas entre as floras das varias regiões microclimaticas-estruturais e são atribuidas às variações de luminosidade e umidade entre elas, porem associadas a algum outro fator, provavelmente idade do substrato.
Os 10 primeiros metros da borda do manguezal são muito caracteristicos e portam uma flora bastante particular, devida à iluminação e ao vento.
Em direção a mata de restinga, o manguezal de Itanhaém sofre alteração de estatura desde 15,0 até 1,5m e, conforme a luminosidade aumenta, grupos heliófilos vão se estabelecendo.
Para os liquens das regiões mais escuras, o termo higrofilia é de aplicação mais correta que umbrofilia, pois eles podem crescer e competir no sol desde que a umidade seja suficientemente alta.
Em segundo lugar a distribuição é devida a diferença de qualidade entre as três especies de forófitas (pH, rugosidade, capacidade de retenção de agua, conteúdo mineral). A flora liquênica sobre Rhizophora mangle é bastante diferente da de Laguncularia racemosa, principalmente nas regiões de sol.
Avicennía schaueriana praticamente não porta liquens, talvez devido à grande quantidade de sal depositada sobre sua casca.
Ao longo dos troncos parece que a maior influência na distribuição da flora é dada por dois gradientes-opostos (luminosidade e umidade). O maior número de individuos e especies se concentra em niveis intermediários.
Ao redor dos troncos a flora se distribui basicamente em 3 lados (N-SE-SW), embora diferenças possam ser encontradas mesmo entre NW e NE. O motivo basico dessa distribuição parece ser também a relação luminosidade/umidade entre os lados.
Os grupos morfobiológicos estabelecidos mostraram boa sensibilidade às variações ambientais. Floras podem ser comparadas atraves de espectros morfobiológicos ou de frequências. Apenas o grupo CROAP (crostosos com apotecio) parece merecer uma maior subdivisão.

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The aim of the present work is to outline the patterns of the lichen distribution in mangroves of the S-SE Brazil, including considerations about the environmental factors that are causing the variation.
Several mangroves from Santa Catarina (27°9'S) up to Bahia (16°4'S) are floristically compared. About 95% of the lichen flora of any visited place is also present at Itanhaem, the main study area.
The Itanhaem mangrove is taken as a model of the mangroves of S-SE Brazil because it contains all the mangrove tree species and all the seven microclimatic-structural regions here established for this vegetation.
Microclimatic and substrate measurements and quantitative studies on epiphytes on the trees were performed at Itanhaem (24°1'S).
A new sampling method ("rubber method") of epiphytes is introduced, and it provided to be easily applied for obtaining the phytosociological values.
Altogether 15662 epiphytic individuals (lichens and bryophytes) of 289 taxa on 454 trees were recorded. Only lichens were identified to species whenever it was possible.
The sampling was done along transects from the river to the restinga vegetation. The cover values of the epiphytes were measured around the trunks at 13 levels at each 15 cm beginning from the top of the algal zone at the tree basis to permit the analysis of the epiphyte distribution according to the microclimatic-structural region, host species, height level and exposure on the trunks.
Lichen species were considered both separately isolated and as aggregated into morpho-biological groups. The possibilities to use these groups as biological indicators of microclimate and substrate are analyzed.
The results are discussed with respect to the number of individuals and species, dominance values, importance values, densities, frequencies, morpho-biological and frequency spectra and a multivariate method of ordination. For the analysis of the epiphyte distribution on different aspects of the trunks the relation size/number of individuals for the more important species, was considered in particular.
The most evident differences were found among the floras of the recognized microclimatic-structural regions, and they are attributed to variations of light and, chiefly, humidity because of its pronounced influence on vertical and circular distribution of the epiphytes including the lower importance of host specificity in high humidity. However, the age of the tree is sometimes as important as humidity and light.
The first 10 meters from the river or sea have a very different lichen flora, because of lateral illumination in morning and stronger winds all the time.
Along the transects the tree height changes from 15.0 to 1.5 meters and with the increase of illumination heliophilous species appear.
This work indicates that hygrophilous is a better term for shadow lichens because they can grow and compete at sunny places as well if the air humidity is high.
The densities for species and individuals are lower at the more shady places. This is perhaps because of too high constant air humidity.
Secondarily the distribution is determined by the quality of the bark of the phorophytes that differ in pH, roughness, water holding capacity and mineral contents.
The flora on Rhizophora mangle is quite different from that on Laguncularia racemosa, especialy in sunny places. Shadiness and humidity seem to compensate the differences in host bark. Species growing on both Rhizophora mangle and Laguncularia racemosa may have high importance values but cover, density or frequency on each tree species are generally different.
High amount of salt on the bark is assumed to be the reason for the almost complete absence of lichens on Avicennia schaueriana.
The greater number of individuals and species at middle levels of the sampled part of the trunks is explained to be caused by two major opposite gradients (humidity, illumination?) along them.
In shady places the epiphyte distribution around the trunks is most clearly differentiated according to three exposures (N-SE-SW) on the trunks. However, there are differences even between NW and NE. At sunny places there are only two differing exposures (N-S). The reasons for this distribution are differences of light and humidity between the exposures, and perhaps greater propagule deposition on the SE side.
The NW side is not as good for lichens. It has lower values of cover, number of individuals, and number of species than the other sides. Nevertheless many species have larger thalli on this side because of lower competition.
The recognized thirteen morpho-biological groups showed a distinct sensitivity to microclimatic variations. Epiphytic lichen communities can efficiently be compared by morpho-biological and frequency spectra. Only the CROAP group (crustose with apothecia) perhaps needs a subdivision. There are group indicators of climax forests and THELO (Thelotremaceae) is the most heliophilous crust indicator of old substrates inside mangroves.

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PREFACIO
I - INTRODUÇÃO 1
1. Habitat em estudo : o manguezal 1
- A zonação e as variações na estrutura dos manguezais. 2

- As Arvores dos manguezais da regiao sul-sudeste do
Brasil 4
- Os mangues como forófitas 6

2. Os liquens dos manguezais 7

3. Briófitas dos manguezais 10

II - OBJETIVOS 11
III - MATERIAL E MÈTODOS 12
Regioes de manguezais incluidas neste estudo 12
Os liquens:
A) Levantamento da flora 14
B) Obtenção dos dados quantitativos em Itanhaem 16
- 0 Mètodo do Elástico 19
- os grupos morfobiológicos 24
- calculo dos parâmetros fitossociológicos 27
O Microclima 29
O Substrato 29
IV - RESULTADOS E DISCUSSÃO 32
1. A FLORA 32
Relação espécie de llquen x manguezal 39
Comparação da flora dos manguezais e totais de amostragem quantitativa 45
Algumas observações sobre a biologia dos liquens dos manguezais S3
2. A DISTRIBUIÇÃO PELAS ESPÉCIES DE FORTUITAS 56
Resultados 58
As posalveis causas da especificidade 74
. A DISTRIBUIÇÃO HORIZONTAL 82
Introdução 82
A fisionomia do manguezal de Itanhaem 88
As árvores e as regiões do manguezal de Itanhaem 90
O microclima 96
A distribuição horizontal da flora liquênica :
- microclima e distribuição qualitativa 100
- microclima e distribuição quantitativa 104
- diversidade e equitatividade 113
- similaridade 114
- espectros morfobiológicos e de frequência de grupos 115
- a distribuição horizontal dos grupos morfabiolégicos 125
- a distribuição horizontal das espécies 133
4. A DISTRIBUIÇÃO VERTICAL 138
Zonação vertical no manguezal 138
Similaridade 139
Nbmero de individuos e analise multivariada 143
Densidade, cobertura e número de individuos 150
Diversidade e equitatividade 152
Nômero de espécies 153
Nível x densidade x circunferência dos troncos 155

Espectros e comportamento dos grupos morfabiológicos 158
A distribuição vertical : Conclusões 168
5. A DISTRIBUIÇÃO AO REDOR DOS TRONCOS 190
Número de espécies 197
Diversidade 199
Similaridade 199
Espectros e comportamento dos grupos morfobiolà-
gicos 202
Dados especificas : 214
- Ocorrência especifica ao redor dos troncos 214
- Lados x Niveis 230
As posalveis causas da distribuição circular 239

- A influência do vento 239
- O tamanho do talo e o ambiente ao redor dos troncos 240

- Tamanho máximo, número de individuos e competição 247
- Distribuição circular e anAlise multivariada 251
6. ANALISE MULTIVARIADA NO MANGUEZAL 259
V - CONCLUSõES 263
VI - RESUMO 267
VII - ABSTRACT 270
VIII - BIBLIOGRAFIA 273
Anexo - Relação alfabética dos códigos específicos 286
Fotos 289